(o filho pródigo, de Rembrant)
regresso, a Deus
em cada segundo que o mundo se humaniza dentro de mim,
enquanto o silêncio toma conta de tudo, do todo que sou,
e junta as peças dos momentos em que deixei de o ser.
regresso, a Deus
sempre tímido, como quem sabe que podia ser mais
mas sempre ansioso por saber que só de estar ali,
não sou um visitante.
regresso, a Deus
quando o pouco que depende de mim, o entrego, não ao deus-dará mas ao Deus que já deu.
quando o muito que depende de mim, não o faço por um sim diminuto, mas por um sim maior.
regresso, a Deus
como um desejo de não partir, mas de ficar,
mas no partir vejo a necessidade de regressar,
no fim da partida, no fim de um mais um dia.
regresso, a Deus
vacilante, apegado, desquilibrado,
regresso de Deus
confiante, livre e cristão.
regresso, a Deus
regresso, adeus,
e amanhã?
Voltarei como quem regressa esquecido do caminho,
ou regresso com Deus, com uma partida que me acompanha,
com um silêncio que me envolve e descansa
e com o desejo, de voltar...
ao fim da partida.
regresso e não quero mais adeus, mais voltas longinquas do ser.
Quero a Deus, sem adeus.
(Que não gosto de despedidas)